"O Caminho de Abraão" é uma rota turística e de peregrinação que reconstitui os passos do profeta Abraão pelo Oriente Médio há aproximadamente 4000 anos. Quer fazer parte desta iniciativa? Saiba +


1. Essa iniciativa é primorosa; como pretendem torná-la real?

Sem dúvida nenhuma, é um desafio abrir uma rota de 1200 quilômetros, que compreende centenas de áreas de interesse cultural e atravessa países onde a tensão é constante. A abordagem do Projeto “O Caminho de Abraão” é favorecer o progresso, onde existe abertura para tanto, por meio de três linhas de ação:

• Identificação dos trechos que compõem ”O Caminho” (como trilhas nas áreas rurais e áreas de interesse cultural nas cidades), e fazer o mapeamento destes, bem como, ainda, no caso de locais já bem conhecidos, enfatizar que estes são parte do “Caminho”.

• Patrocínio de excursões para trechos do “Caminho” e sua infinidade de áreas de interesse cultural, em parceria com agências de turismo internacionais e agências localizadas em países do Oriente Médio, para todos os estilos de viajantes: de grupos de estudantes e mochileiros àqueles que viajam em pacotes turísticos, contando com acomodação em hotéis.

• Elaboração e distribuição de informações sobre as trilhas, as áreas de interesse cultural e sobre o espírito de Abraão. Divulgação por meio de artigos eruditos, cobertura da mídia impressa, áudio e vídeo, filmes, conversas entre os viajantes e entre os viajantes e seus amigos,

Essas três linhas de ação são complementares e reforçam umas as outras. A abertura de um novo trecho motiva o surgimento de mais excursões que resulta em mais divulgação, o que, por sua vez, gera mais excursões e assim por diante. No devido tempo, esse processo se acelera e os trechos se juntam formando “O Caminho”. Dessa forma, o Projeto “O Caminho de Abraão” promove e facilita a abertura da rota, embora a verdadeira tarefa de abrir a rota seja daqueles que vivem na região.

2. Como será tratada a questão da segurança?

Os perigos de viajar pelo Oriente Médio são muito mais divulgados do que reais. Quem já viajou para a região sabe que a hospitalidade é uma característica da cultura local. Desta forma, o Projeto traçou quatro ações em relação à questão da segurança:

• Monitoração e compartilhamento de informações com nossos parceiros locais. Áreas onde ocorreram conflitos no passado serão observadas mais atentamente e as recomendações estarão disponíveis aos viajantes no site do “Caminho”. Atualizações para os viajantes em campo podem ser enviadas diariamente por meio de e-mails e outros dispositivos tecnológicos manuais.

• “O Caminho” está sendo desenvolvido com a colaboração de pessoas da região e das autoridades nacionais e locais que irão garantir a segurança de seus visitantes e a do “Caminho” a longo prazo.

• Um código de conduta para os visitantes está sendo elaborado para ajudá-los a lidar com as diferenças culturais que possam ser causa de atrito. E tanto o guia como o website terão recomendações a respeito do código de vestimenta e normas de comportamento.

• Guias locais: para as pessoas que desejem uma orientação mais específica, será treinado um grupo de guias licenciados, familiarizados com a região, e que estarão disponíveis aos viajantes mediante o pagamento de uma taxa.

• Saúde e Segurança no deserto: A equipe de cartografia irá elaborar mapas precisos para hiking (caminhadas longas) e coordenadas GPS que irão minimizar os riscos de o viajante se perder. Esses mapas indicarão os lugares com água para caso de emergência, e o guia terá uma lista com telefones de emergência nacionais e locais. Além do mais, a trilha será bem demarcada em toda sua extensão.

3. Como serão obtidas as autorizações para as pessoas atravessarem as fronteiras nos países onde existem restrições, principalmente para aquelas que fizerem a trilha caminhando?

De fato, as fronteiras entre alguns países da rota não estão abertas. O Projeto reconhece essas realidades e irá trabalhar dentro das limitações impostas. O Projeto não tem nenhum compromisso de ordem política e não tentará modificar qualquer política nacional local, no tocante ao controle de fronteiras ou regulamentação sobre vistos. A maioria dos viajantes ocidentais poderá fazer todo o trajeto do “Caminho de Abraão” sem maiores problemas e os visitantes da maioria dos países do Oriente Médio poderão fazer grandes trechos do “Caminho”.

O Projeto irá criar alternativas significativas onde existirem limitações. Apesar de o “Caminho de Abraão” não ter nenhuma posição em relação ao estado atual das fronteiras regionais, o Projeto aguarda ansiosamente para que haja paz na região e para que as viagens não sofram nenhum tipo de restrição. De fato, as paisagens e as pessoas estão ligadas historicamente e o Profeta Abraão e muitos locais da região que estão relacionados com o seu legado, permanecem como uma recordação desta conexão.

4. Como saber onde a rota está localizada?

O “Caminho de Abraão” é uma recriação simbólica da jornada de Abraão. Nenhuma escritura é devidamente detalhada para permitir que se recrie a rota exata de Abraão pelo Oriente Médio, e a rota escolhida não implica nenhum julgamento acerca da veracidade ou precedência de outras versões tradicionais. Em comum, as escrituras das três crenças abraâmicas mencionam alguns lugares específicos, como a antiga cidade de Harran na Turquia, Jerusalém e o Túmulo dos Patriarcas em Al/Khalil/Hebron, onde a rota começa e termina. Entre esses dois pontos, “O Caminho de Abraão” irá atravessar lugares que constam das escrituras ou estão associados a Abraão pela tradição local, como o norte da Síria (local denominado “Primavera da Noiva”) ou a Cidadela em Alepo. A rota tentará também seguir a “trilha da beleza” – passando pelas paisagens mais encantadoras da região e pelos lugares de interesse histórico mais recente.

5. Quem participa dessa iniciativa?

O Projeto “O Caminho de Abraão” é uma associação de um grupo internacional de estudiosos, líderes religiosos e turistas da própria região e de fora dela, com apoio do Global Negotiation Project da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

O Projeto espera que esta iniciativa floresça e que seja levada em diante pelas pessoas da região. Quando isso acontecer, não será mais necessário um Projeto, sendo simplesmente “O Caminho de Abraão”, que irá se expandir por meio daqueles que irão trilhá-lo e dos cuidados daqueles que receberão esses viajantes como hóspedes.

6. De onde vem o dinheiro para esse Projeto?

O financiamento inicial do projeto veio, principalmente, do Global Negotiation Project da Universidade de Harvard e do Rockefeller Brothers Fund, Kingdom Holding Company e Sir Halley Stewart Trust. Muitas outras pessoas e organizações têm feito contribuições importantíssimas em escala menor. No momento, estamos levantando fundos com pessoas, organizações e fundações de todos os países do mundo.

7. Quem fará essa trilha e por quê?

Muitos viajantes irão caminhar por trechos do “Caminho de Abraão”, guiados por mapas e placas ao longo da trilha. Outros utilizarão “O Caminho” como um roteiro de locais que podem ser visitados de ônibus ou de carro. As escolas e famílias das comunidades ao longo do “Caminho” terão, nesse itinerário, uma fonte de educação e entretenimento.

A demanda internacional por esse tipo de viagem pode ser percebida com o desenvolvimento do ecoturismo, do turismo religioso e das caminhadas de longa distância (hiking) em todo o mundo. A Trilha Inca no Peru, as trilhas Apalaches e Lewis e Clark nos Estados Unidos, a rota Grand Randonne pela França, os Greenways (Caminho Verde) pelo Norte da Europa, a trilha de Saint Paul (São Paulo) na Turquia e a Via Francigena na Itália, vêm atraindo centenas de milhares de pessoas todos os anos - o mais conhecido de todos é o Caminho de Santiago, uma rota de peregrinação medieval pela Espanha.

“O Caminho de Abraão” inclui três cidades importantes: Alepo, Damasco e Jerusalém, lugares que estão entre os mais antigos e que evocam as memórias do Levante. Ao atravessar essas cidades, “O Caminho”, passará pelas paisagens bíblicas do deserto, pelas montanhas com o topo coberto de neve que se elevam do Mar Mediterrâneo e pelos campos de flores silvestres e oliveiras que ficam em sua base. A beleza natural, a riqueza cultural e o apelo religioso poderão transformar o “Caminho de Abraão” em uma das rotas de turismo mais visitadas do mundo.