Sem dúvida nenhuma, é um desafio abrir uma rota de 1200 quilômetros, que compreende centenas de áreas de interesse cultural e atravessa países onde a tensão é constante. A abordagem do Projeto “O Caminho de Abraão” é favorecer o progresso, onde existe abertura para tanto, por meio de três linhas de ação:
• Identificação dos trechos que compõem ”O Caminho” (como trilhas nas áreas rurais e áreas de interesse cultural nas cidades), e fazer o mapeamento destes, bem como, ainda, no caso de locais já bem conhecidos, enfatizar que estes são parte do “Caminho”.
• Patrocínio de excursões para trechos do “Caminho” e sua infinidade de áreas de interesse cultural, em parceria com agências de turismo internacionais e agências localizadas em países do Oriente Médio, para todos os estilos de viajantes: de grupos de estudantes e mochileiros àqueles que viajam em pacotes turísticos, contando com acomodação em hotéis.
• Elaboração e distribuição de informações sobre as trilhas, as áreas de interesse cultural e sobre o espírito de Abraão. Divulgação por meio de artigos eruditos, cobertura da mídia impressa, áudio e vídeo, filmes, conversas entre os viajantes e entre os viajantes e seus amigos,
Essas três linhas de ação
são complementares e reforçam umas as
outras. A abertura de um novo trecho motiva o
surgimento de mais excursões que resulta em mais
divulgação, o que, por sua vez, gera mais
excursões e assim por diante. No devido tempo,
esse processo se acelera e os trechos se juntam
formando “O Caminho”. Dessa forma, o
Projeto “O Caminho de Abraão”
promove e facilita a abertura da rota, embora a
verdadeira tarefa de abrir a rota seja daqueles que
vivem na região.
Os perigos de viajar pelo Oriente Médio são muito mais divulgados do que reais. Quem já viajou para a região sabe que a hospitalidade é uma característica da cultura local. Desta forma, o Projeto traçou quatro ações em relação à questão da segurança:
• Monitoração e compartilhamento de informações com nossos parceiros locais. Áreas onde ocorreram conflitos no passado serão observadas mais atentamente e as recomendações estarão disponíveis aos viajantes no site do “Caminho”. Atualizações para os viajantes em campo podem ser enviadas diariamente por meio de e-mails e outros dispositivos tecnológicos manuais.
• “O Caminho” está sendo desenvolvido com a colaboração de pessoas da região e das autoridades nacionais e locais que irão garantir a segurança de seus visitantes e a do “Caminho” a longo prazo.
• Um código de conduta para os visitantes está sendo elaborado para ajudá-los a lidar com as diferenças culturais que possam ser causa de atrito. E tanto o guia como o website terão recomendações a respeito do código de vestimenta e normas de comportamento.
• Guias locais: para as pessoas que desejem uma orientação mais específica, será treinado um grupo de guias licenciados, familiarizados com a região, e que estarão disponíveis aos viajantes mediante o pagamento de uma taxa.
• Saúde e Segurança no deserto: A
equipe de cartografia irá elaborar mapas
precisos para hiking (caminhadas longas) e coordenadas
GPS que irão minimizar os riscos de o viajante
se perder. Esses mapas indicarão os lugares com
água para caso de emergência, e o guia
terá uma lista com telefones de emergência
nacionais e locais. Além do mais, a trilha
será bem demarcada em toda sua
extensão.
De fato, as fronteiras entre alguns países da rota não estão abertas. O Projeto reconhece essas realidades e irá trabalhar dentro das limitações impostas. O Projeto não tem nenhum compromisso de ordem política e não tentará modificar qualquer política nacional local, no tocante ao controle de fronteiras ou regulamentação sobre vistos. A maioria dos viajantes ocidentais poderá fazer todo o trajeto do “Caminho de Abraão” sem maiores problemas e os visitantes da maioria dos países do Oriente Médio poderão fazer grandes trechos do “Caminho”.
O Projeto irá criar alternativas
significativas onde existirem limitações.
Apesar de o “Caminho de Abraão”
não ter nenhuma posição em
relação ao estado atual das fronteiras
regionais, o Projeto aguarda ansiosamente para que haja
paz na região e para que as viagens não
sofram nenhum tipo de restrição. De fato,
as paisagens e as pessoas estão ligadas
historicamente e o Profeta Abraão e muitos
locais da região que estão relacionados
com o seu legado, permanecem como uma
recordação desta conexão.
O “Caminho de Abraão” é
uma recriação simbólica da jornada
de Abraão. Nenhuma escritura é
devidamente detalhada para permitir que se recrie a
rota exata de Abraão pelo Oriente Médio,
e a rota escolhida não implica nenhum julgamento
acerca da veracidade ou precedência de outras
versões tradicionais. Em comum, as escrituras
das três crenças abraâmicas
mencionam alguns lugares específicos, como a
antiga cidade de Harran na Turquia, Jerusalém e
o Túmulo dos Patriarcas em Al/Khalil/Hebron,
onde a rota começa e termina. Entre esses dois
pontos, “O Caminho de Abraão”
irá atravessar lugares que constam das
escrituras ou estão associados a Abraão
pela tradição local, como o norte da
Síria (local denominado “Primavera da
Noiva”) ou a Cidadela em Alepo. A rota
tentará também seguir a “trilha da
beleza” – passando pelas paisagens mais
encantadoras da região e pelos lugares de
interesse histórico mais recente.
O Projeto “O Caminho de Abraão” é uma associação de um grupo internacional de estudiosos, líderes religiosos e turistas da própria região e de fora dela, com apoio do Global Negotiation Project da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
O Projeto espera que esta iniciativa floresça
e que seja levada em diante pelas pessoas da
região. Quando isso acontecer, não
será mais necessário um Projeto, sendo
simplesmente “O Caminho de Abraão”,
que irá se expandir por meio daqueles que
irão trilhá-lo e dos cuidados daqueles
que receberão esses viajantes como
hóspedes.
O financiamento inicial do projeto veio,
principalmente, do Global Negotiation Project da
Universidade de Harvard e do Rockefeller Brothers Fund,
Kingdom Holding Company e Sir Halley Stewart Trust.
Muitas outras pessoas e organizações
têm feito contribuições
importantíssimas em escala menor. No momento,
estamos levantando fundos com pessoas,
organizações e fundações de
todos os países do mundo.
Muitos viajantes irão caminhar por trechos do “Caminho de Abraão”, guiados por mapas e placas ao longo da trilha. Outros utilizarão “O Caminho” como um roteiro de locais que podem ser visitados de ônibus ou de carro. As escolas e famílias das comunidades ao longo do “Caminho” terão, nesse itinerário, uma fonte de educação e entretenimento.
A demanda internacional por esse tipo de viagem pode ser percebida com o desenvolvimento do ecoturismo, do turismo religioso e das caminhadas de longa distância (hiking) em todo o mundo. A Trilha Inca no Peru, as trilhas Apalaches e Lewis e Clark nos Estados Unidos, a rota Grand Randonne pela França, os Greenways (Caminho Verde) pelo Norte da Europa, a trilha de Saint Paul (São Paulo) na Turquia e a Via Francigena na Itália, vêm atraindo centenas de milhares de pessoas todos os anos - o mais conhecido de todos é o Caminho de Santiago, uma rota de peregrinação medieval pela Espanha.
“O Caminho de Abraão” inclui
três cidades importantes: Alepo, Damasco e
Jerusalém, lugares que estão entre os
mais antigos e que evocam as memórias do
Levante. Ao atravessar essas cidades, “O
Caminho”, passará pelas paisagens
bíblicas do deserto, pelas montanhas com o topo
coberto de neve que se elevam do Mar Mediterrâneo
e pelos campos de flores silvestres e oliveiras que
ficam em sua base. A beleza natural, a riqueza cultural
e o apelo religioso poderão transformar o
“Caminho de Abraão” em uma das rotas
de turismo mais visitadas do mundo.